10 Dicas para mixa sua música no REAPER

10 dicas de mixagem no reaper 2

Olá neste post quero dar10 dicas para mixar uma música no REAPER, minha D.A.W predileta não só para mixar como para todo o trabalho de produção de áudio em meu home studio

Depois de ler as dicas, assista o vídeo no final desta postagem onde você pode conferir outros detalhes do assunto.

#1 – Edição de todas as tracks

  • Logo após o término das gravações é o momento de ouvirmos tudo novamente co total atenção.
  • Primeiro ouça todas as tracks juntas para ver se há algum erro no tempo ou sujeiras.
  • Depois se detectar algum erro de tempo ou sujeira, tente localizar a peça fora do tempo e edite, utilizando a ferramenta Elastic Audio do Reaper que é sensacional. .
  • Coloque tudo que precisar em seu devido lugar.
  • Nesta etapa, é onde podemos cortar partes indesejadas das peças como por exemplo as sobras dos tons que consiste em deletar as partes da pista onde os tons não estão tocando.
  • A edição também deve ser acompanhada da afinação da voz através de um plugins de afinação.
  • Claro que durante a gravação, o cantor deve cantar muito bem afinado mas se tiver algum ou outro deslize, o que é muito normal, deve ser feita a correção com o melodyne ou outro plugins de afinação.
  • A mixagem só começa, de fato, após todos estes retoques

#2 – Organização das tracks

Nesta etapa é bom organizar as tracks em grupos e criar folder tracks para guardar as trilhas de cada grupo em separados. Podemos fazer da seguinte maneira:

  • Renomear as tracks com o nome da cada instrumento

renomear as tracks dos instrumentos

  • Colocar cores diferentes para cada grupo diferente.

grupos com cores diferents

  • Se a DAW permitir, colocar ícones dos instrumentos.

ícones dos instrumentos

  • Crie grupos de instrumentos
  • No Reaper dá para criar Track folder que servem ao mesmo tempo para guardar outras trilhas e que também fazem o papel de Track group e você pode aplicar nelas processos que irão atuar no grupo inteiro.

grupos de instrumentos

#3 – Limpeza das frequências dos instrumentos e das vozes

  • Nesta etapa, nós podemos colocar a mix em mono
  • Com um bom equalizador e um bom analisador e uma boa tabela de frequências, faça uma limpeza nas frequências de cada instrumento
  • Abra um EQ na primeira trilha e consulte a tabela de frequências de instrumentos abaixo para descobrir em qual região do espectro de frequências cada instrumento vai se manifestar.
  • Use o seu plugin de EQ favorito e um analisador para conferir as frequências que você deve cortar em cada instrumento. Existem plugins de equalização que já vem com analisador e eu indico dois de minha preferência:
  • Use esta tabela de referência para identificar as frequências de cada instrumento, mas principalmente use seus ouvidos pois são os ouvidos que irão mixar e não as tabelas e os analisadores. Eles servirão apenas para conferir se está tudo ok.

Leia neste outro artigo  3 maneiras de limpar a mixagem e saiba como usar o equalizador para abrir espaço na mix.

#4 – Acerte os volumes entre os instrumentos

  • Antes de começar a colocar o restante dos plugins, dê uma geral nos volumes, fazendo com que os instrumentos já comecem a ter uma relação entre si. Uma boa dica é começar com os volumes do bumbo, do baixo e da voz principal.
  • Baseando-se neste tripé, vá regulado os outros volumes de acordo com eles.

Outra dica legal para este ajuste é não mexer no fader de volume do canal e sim nos volumes do takes.

  • No Reaper dá para ativar um botão de volume para cada take em cada pista. Veja como:
  • Clique em Options e em Preferences

REAPER botão de volume no take

  • Na aba Appearance escolha a opção Media, marque a caixinha “Item volume knob” para aparecer um botão de volume em cada take gravado

botão de volume em cada take gravado

  • Ficará assim

botão de volume

  • Com esse botão vá acertando o nível de volume entre os instrumentos conferindo se os mesmos não estão clipando.
  • Controle o nível tanto no meter da track do instrumento quando no master fader;

volume master fader

  • Assim  vá acertando os níveis de todos os volumes de todos os volumes pelos knobs dos takes. Se algumas track apresentar mais de um take, selecione todos que estiverem na mesma track e mexa em um dos kobs que todos obedecerão o mesmo movimento

Faça de modo que no final do acerto, a música já esteja soando como um todo.

#5 – Utilização do Panorama

Nesta etapa vamos colocar a mix em modo estéreo

Quando observamos o panorama de uma paisagem, nós percebemos que há elementos no centro e nas bordas e entre o centro e as bordas também podem haver objetos ou elementos que compõem esta paisagem.

Na música este princípio é o mesmo.

Sabemos que tem instrumentos no centro da mix e outros abertos tanto 100% para a direita como para a esquerda.

Mas entre o centro e as pontas existem muitos espaços onde podemos colocar diversos outros instrumentos para compor o panorama da música.

Use o botão Pan (panorama) da sua DAW para distribuir os instrumentos entre o espaço que corresponde entre as duas caixas de som ou monitores de referência.

 

Antes de fazer qualquer modificação nos pans, pegue uma folha de papel em branco para definir um plano desenhando um palco e colocando os instrumentos neste palco levando em consideração algumas práticas que não regras mas são bastante usadas.

a) Instrumento graves ao centro – Geralmente colocamos os instrumentos graves com o Pan no centro pois estes instrumentos servirão de base rítmica da música e deverão ficar presentes em toda a música. Ex.: o bumbo da bateria e o baixo.

b) Elementos principais também devem ficar no centro – A voz é o elemento principal da música e deve estar com o pan no centro pois ela deverá estar presente o tempo todo, assim como os instrumento solistas que tocam geralmente quando a voz não está presente.  A caixa da bateria também pode ser considerado como um elemento principal pois compõe o ritmo da música, portanto deve ficar no centro.

c) Instrumento iguais ou que tocam em uma mesma região do espectro de frequência, devem ficar abertos 100% para a direita ou para a esquerda – Quando gravamos um violão ou uma guitarra  por exemplo é muito comum  querermos dar um reforço a ele gravando-o novamente. É muito interessante que façamos uma abertura de 100% no pan dos dois sinais: um para cada lado. Ou se tivermos um violão e um piano por exemplo. Estes instrumento podem as vezes estar utilizando a mesma região de frequências no espectro da música. Então podemos abrir um totalmente para a direita e o coutro totalmente para a esquerda.

d) Instrumentos que complementam a harmonia ou o ritmo podem ficar abertos a 40, 60 ou 80% do pan para um lado ou para o outro –

Digamos que temos na mixa alguns instrumentos que fazem desenhos melódicos para harmonizar com a voz como por exemplo um pequeno solo de flauta ou violino ou algum pequeno solo de algum instrumento cujo papel é simplesmente fazer um desenho harmônico, podemos colocá-los distribuídos entre um lado e outro do panorama de modo que um complemente o outro e levando também em consideração o plano de mixagem e as áreas de frequências que eles ocupam.

Ex. uma flauta e um violino que estejam acompanhando a melodia da voz e fazendo entre eles um desenho harmônico, talvez possamos colocar um deles a 40% à direita e o outro a 40% à esquerda para que eles se complementem e não venham atrapalhar um ao outro.

Use o panorama com bom senso e siga um plano previamente traçado

Neste outro post eu mostro uma maneira de começar com uma mixagem simples usando apenas equalizador compressor e efeitos.

MELHORE SUAS PRODUÇÕES APRENDENDO A USAR AS PRINCIPAIS FERRAMENTAS DE HOME STUDIO

#6 – Ajuste da dinâmica de cada instrumento

  • O nível de volume de um instrumento gravado pode variar constantemente durante a sua execução, ou seja, em alguns momentos seu sinal pode estar mais forte do que em outros causando um desnível que pode prejudicar a aparição deste instrumento em determinado trechos da música por causa do efeito de mascaramento do som. Neste caso um som mais fraco de um instrumento pode ser encoberto por outro instrumento e simplesmente sumir.
  • Para evitar este problema, é preciso determinarmos um nível constante de volume para cada instrumento e deste modo fazemos com que fiquem presentes em todos os pedaços da música.
  • Para realizar esta tarefa nós usamos o compressor, que hoje pode ser encontrado como hardware (aparelho físico) e em plugin (software) que trabalha em conjunto com a DAW que usamos para mixar no computador.

Veja alguns exemplos de plugins de compressão:

Vejam que todos estes plugins de compressão possuem 4 parâmetros em comum.

Com esses 4 parâmetros é que vamos determinar a quantidade de compressão que vamos aplicar à princípio para ajustar a dinâmica e o equilíbrio de volume que cada instrumento deve apresentar em si mesmo.

Ratio (razão)

Este é o primeiro parâmetro que devemos ajustar para determinar o quanto de compressão vamos aplicar. Ratio quer dizer razão e razão em matemático você sabe que é um termo comparativo entre um elemento e outro.

Deixa eu dar um exemplo de estatística vamos supor que a cada 10 jovens que se formam no ensino básico, apenas 3 conseguem entrar na faculdade. Então a razão desta estatística é de 10 para 3.

No caso do compressor, vamos falar de volume.

Então com o o Ratio vamos determinar a quantidade de volume em que deve ser ultrapassada em db para que o compressor deixe passar apenas 1 db. Por eemplo: ajustando o Ratio em 2:1 estamos dizendo ao compressor que a cada 2 db que o som ultrapasse ao volume pré determinada, ele deixe passar apenas 1 db.

Se colocarmos no compressor uma razão de 3 para 1, a cada 3 db que ultrapassar o volume pré determinado, ele deixe passar apenas 1. E assim por diante. Pode 4: 1, 5:1, 6:1.

Quanto maior o valor colocado no ratio, maior será a qauntidade de compressão que será aplicada a partir do volume determinado no thashold

Thershold (umbral)

Umbral quer dizer limite. Se alguém ultrapassar o umbral de uma porta, estará ultrapassando o limite do ambiente em que se encontra.

Quando determinamos o volume do threshold estamos indicando o ponto de volume do sinal a partir do qual o compressor vai começar a agir segundo ao ratio que escolhemos.

Por exemplo. se colocarmos um ratio de 3 para 1 e fixarmos o threshold em -15 db e som do instrumento da pista alcança -12db (3 acima do umbral), o compressor vai deixar passar apenas 1 db eo volume do sinal chegará apenas em -14db.

Isso vai valer para o decorrer de toda a música.

Em consequência, o os trechos do instrumento que estavam mais altos, vão fica mais baixo e os que estavam mais baixo ficarão um pouco mais altos, causando assim o efeito de volume mais constante e mais próximo. Desta maneira estamos ajustando a disparidade na dinâmica de um instrumento.

Attack

Com este parâmetro nó vamos ajustar o tempo do início da compressão.

Se quisermos que o compressor comece a comprimir assim que o som se manifeste, nós ajustamos um ataque rápido em milisegundos.

Quanto mais rápido for o ataque, mais cedo acontecerá a compressão.

O ajuste ideal para cada instrumento será explicado em meu mini curso de ferramentas da mixagem que está sendo preparado e que será lançado em breve, e também no curso que eu estou indicando neste blog que você pode ACESSAR AQUI.

Release (relaxamento)

Com este parâmetro podemos escolher o tempo (em miliegundos) a partir do qual queremos que o compressor abandone a compressão.

O cálculo tem que ser feito de acordo com cada instrumento.

Por ex em instrumentos percussivos, devemos ajustar o relaese de forma que a compressão termine antes de atingir o próximo transiente.

Já em outros instrumentos como o baixo e a guitarra e até mesmo a voz, onde a compressão deve ser mais constante, nós podemos deixar que o compressor atue por mais tempo.

Make up gain ou ganho

Este controle está presente na maioria  dos compressores também e tem a ver com a compensação de volume que devemos dar ao compressor, caso o efeito de compressão venha causar uma perda de ganho no volume geral do instrumento.

Mas também podemos ajustar isso naquele knob do take que eu mostrei acima.

Aproveite para saber como usar o compressor na produção musical e conhecer à fundo essa ferramenta que precisa ser dominada.

 #7 Aplicando compressão e equalização em canais de grupos

  • Já vimos como aplicar equalizadores e compressores nos canais individuais de cada instrumento e também podemos fazer isso nos canais de grupo (track folders)
  • Quando criamos a track folder da bateria para abrigar todas as peças da bateria, estamos ao mesmo tempo criando um canal de grupo da bateria e nele podemos aplicar alguns plugins para criar um efeito no grupo inteiro.
  • Podemos inserir nele um compressor de bus por exemplo para fazer com que todas as peças da bateria soem com uma só. Isso é também chamado de cola e com um compressor na track folder da bateria podemos controlar a dinâmica de todo esse grupo.
  • O mesmo vale para a track folder dos instrumentos de harmonia e a track folder das vozes.

track folder no reaper

  • Também podemos usar um equalizador para dar mais brilho ao grupo.
  • Só não podemos aplicar efeitos de ambiência nos grupos. Para isso será necessário criar canais auxiliares.

#8 – Criando canais auxiliares

  • Para criar a sensação de ambiência nos instrumentos, é necessário utilizar plugins de efeitos como revebs e delays.Mas se colocarmos um plugins de reverb ou delay em cada track, nós provavelmente não chegaremos ao fim da mix sem ter problemas de processamento pois esses plugins consomem bastante.
  • Então uma boa prática é criar canais auxiliares para inserir plugins de efeitos como reverb delay, chorus e depois fazer mandadas de sinais dos instrumentos em que queremos aplicar os efeitos para os canais auxiliares.

Ex.: temos uma bateria com diversas peças para aplicar ambiência.

Qual seria a melhor prática?

Inserir um plugin de reverb na track folder da bateria para dar ambiência a todas as peças ao mesmo tempo?

Não. A melhor prática neste caso, é criar um canal auxiliar com o efeito de reverb adequado e depois fazermos o envio do sinal de cada peça para este auxiliar.

canal auxiliar com efeito reverb

Assim podemos controlar a quantidade de efeito adequada para cada peça em separado e colocar mais de um tipo de efeito também.

O mesmo vale para os instrumentos de harmonia e as vozes.

Criamos canais auxiliares contendo os efeitos que queremos para cada situação e fazemos o envio para estes auxiliares. Por ex. queremos criar um efeito de distanciamento para guitarra e outro para o piano.

Mas queremos o piano mais ao fundo e a guitarra nem tanto.

Então criamos um auxiliar e colocamos nele um reverb Hall.

Enviamos o sinal do piano para este hall e colocamos um pouco a mais na dosagem do que para a guitarra pois queremos que o piano tenha mais esse efeito de distância e a guitarra queremos mais perto.

E assim por diante temos inúmeras possibilidades sem ter que sobrecarregar o processamento com diversos plugins.

#9 – Compressão paralela

Em muitos casos para não carregar muito na compressão de um determinado instrumento e evitar com que ele soe artificial ou com efeito de compressão exagerada, nós podemos perder a pegada desse instrumento.

Para resolver esse problema, nós podemos criar um canal auxiliar e inserir nele um compressor e colocar um fator de compressão bem elevado nele.

Depois fazer uma mandada do sinal do instrumento a ser trabalhado para esse canal auxiliar e dosar através do seu master fader a quantidade de efeito que queremos dar para que o instrumento fique com mais pegada sem que fique com a sua sonoridade alterada pelo compressor.

Podemos usar a compressão paralela para qualquer instrumento e até mesmo na voz desde que saibamos usar a quantidade certa.

  • Criar um canal auxiliar e inserir nele um plugin de compressor
compressor

Canal auxiliar com um compressor

  • Ajustar um nível de compressão bem pesada
compressão pesada

Compressão pesada

 

  • Clica em I/O setup e enviar uma cópia do sinal dos instrumento que deseja aplicar a compressão paralela para o canal auxiliar onde está o compressor.
I/O setup envio

Envio para o canal auxiliar

  • Ajustar o volume da mandada

ajustar volume da mandada

Leia neste outro post quais são os Tipos de Compressão que podemos usar em uma mixagem.

#10 – Automação

A automação é a prática de automatizar os parâmetros que já vimos acima e o Reaper é a DAW que oferece mais poder neste quesito.

Nele dá para automatizar os volumes o pan e todos os parâmetros de cada plugin que colocamos em cada track

Através de uma linha que chamamos de envelope podemos baixar ou aumentar o volume em determinados trechos do instrumento ou voz, podemos trocar o direcionamento do pan em alguns trechos e faze-los voltar ao normal no momento seguinte e podemos desligar um plugins em determinada parte ou dar uma equalização diferente para criar um efeito durante uma parte.

Enfim são inúmeras possibilidades de criar nuances na música através desses envelopes.

Vamos ver como fazer para automatizar o volume da guitarra neste exemplo

  • Clicar no ícone para abrir a janela de automação

janela de automação no reaper

  • Escolher o parâmetro que quisermos automatizar. No nosso exemplo vamos escolher o volume.

Escolher o parâmetro que quisermos automatizar

  • Crie pontos no envelope de volume clicando na linha  pressionado a tecla shift do computador.

 Crie pontos no envelope de volume clicando na linha pressionado a tecla shift do computador.

  • Levante ou baixe o volume do envelope nos trechos marcados pelos pontos
 Levante ou baixe o volume do envelope nos trechos marcados pelos pontos

10 dicas para mixar uma música

Existem outras maneiras de automatizar usando os envelopes que você pode aprender adquirindo o Curso de Mixagem no Reaper que eu indico AQUI

Veja o vídeo e confira outros detalhes das dicas

Espero que tenha gostado das dicas.

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Músico, produtor e criador do blog idaudio.com.br com o intuíto de compartilhar conhecimentos e dicas com quem está na mesma estrada afim de que todos possam crescer como profissionais, realizando seus maiores sonhos.

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2 Comentários

  1. Luíz carlos

    Ótimo. Ja li tudo. Agora vou por em prática. Sou produtor de funk. É preciso muito de qualidade nas minhas produções.

  2. É isso aí Luis Carlos. Ver um trabalho bem feito é sempre muito bom. Vai fundo no aprendizado e bons trabalhos pra você

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